PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…fomos baptizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo …” (cf. 1 Coríntios 12, 13)

A Igreja celebra a Solenidade do Pentecostes, memória da vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos. Esta força do alto, sabedoria de Deus e luz da alma e da consciência, renovou o coração destes homens que, do medo e do escondimento, passaram a testemunhar e a anunciar Jesus Cristo à luz do dia, sem medo e sem vergonha. O Espírito de Deus continua a renovar e a transfigurar as vidas daqueles que O acolhem, que se deixam moldar por Ele, que O testemunham como “Senhor que dá a vida”. Baptizados no fogo do amor de Deus, formamos um só corpo: a Igreja que, enviada por Jesus, testemunha no mundo o Amor, a Misericórdia, o Perdão, a Unidade, a Santidade, a Paz… No mundo devastado pela miséria moral e humana, pela violência e o rancor, pelo ódio e o egoísmo, pela ganância e a discórdia, é preciso abrir o coração ao sopro do espírito e rezar-Lhe para que renove a face da terra.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

EM DESTAQUE


- CUIDAR ATÉ AO FIM COM COMPAIXÃO

Representantes de comunidades cristãs, muçulmanas, judaicas, hindus e budistas, presentes em Portugal, assinaram uma declaração conjunta em que rejeitam a legalização da eutanásia no país, prática que coloca em causa o respeito pela vida


DECLARAÇÃO CONJUNTA

O debate em curso na sociedade portuguesa sobre a realidade a que se tem chamado “morte assistida” convoca todos a realizarem uma reflexão e a oferecerem o seu contributo para enriquecer um processo de diálogo que necessita da intervenção da pluralidade dos actores sociais. As Tradições religiosas são portadoras de uma mensagem sobre a vida e a morte do homem, bem como sobre o modelo de sociedade que constituímos, e é legítimo e necessário que a apresentem, com humildade e liberdade.
Agora que a Assembleia da República vai discutir e colocar em votação propostas de uma eventual lei sobre a eutanásia, nós, as comunidades religiosas presentes em Portugal signatárias, conscientes de que vivemos um momento de grande importância para o nosso presente e o nosso futuro colectivo, declaramos:

1.      A dignidade daquele que sofre
Acreditamos que cada ser humano é único e, como tal, insubstituível e necessário à sociedade de que faz parte, sujeito de uma dignidade intrínseca anterior a todo e qualquer critério de qualidade de vida e de utilidade, até à morte natural. A vida não só não perde dignidade quando se aproxima do seu termo, como a particular vulnerabilidade de que se reveste nesta etapa é, antes, um título de especial dignidade que pede proximidade e cuidado. Assumimos que todo o sofrimento evitável deve ser evitado e, por isso, estamos gratos porque o desenvolvimento das ciências médicas e farmacológicas alcançou um tal patamar de desenvolvimento que permite o eficaz alívio da dor e a promoção do bem-estar. Contudo, não ignoramos o carácter dramático do sofrimento e a dificuldade de que se reveste a elaboração de um sentido para o viver. Sabemos que a religião oferece uma possibilidade de sentido a quem acredita, mas sabemos também, pela experiência do acompanhamento de tantos que não são religiosos, que não depende de o ser a possibilidade de encontrar sentido para o próprio sofrimento. Com esses aprendemos, aliás, que nesta tarefa reside uma das maiores realizações da dignidade pessoal. A dignidade da pessoa não depende senão do facto da sua existência como sujeito humano e a autonomia pessoal não pode ser esvaziada do seu significado social.

2.      Por uma sociedade misericordiosa e compassiva
O sofrimento do fim de vida é, para cada pessoa, um desafio espiritual e, para a sociedade, um desafio ético. Comuns às diferentes Tradições religiosas, princípios como a misericórdia e a compaixão configuraram, ao longo da história da civilização, modelos sociais capazes de criar, em cada momento, modos precisos de acompanhar e cuidar os membros mais frágeis da sociedade. Hoje, o morrer humano é um dos âmbitos em que este desafio nos interpela. O que nos é pedido não é que desistamos daqueles que vivem o período terminal da vida, oferecendo-lhes a possibilidade legal da opção pela morte, à qual pode conduzir a experiência do sofrimento sem cuidados adequados. Esse é o verdadeiro sofrimento intolerável, que cria condições para o desejo de morrer. Nasce de uma sociedade que abandona, que se desumaniza, que se torna indiferente. Confirma-nos nesta convicção a experiência de que quem se sente acompanhado não desespera perante a morte e não pede para morrer. O que nos é pedido é, pois, que nos comprometamos mais profundamente com os que vivem esta etapa, assumindo a exigência de lhes oferecer a possibilidade de uma morte humanamente acompanhada.

3.      Os Cuidados Paliativos, uma exigência inadiável
Acreditamos que os cuidados paliativos são a concretização mais completa desta resposta que o Estado não pode deixar de dar, porque aliam a maior competência científica e técnica com a competência na compaixão, ambas imprescindíveis para cuidar de quem atravessa a fase final da vida. A verdadeira compaixão não é insistir em tratamentos fúteis, na tentativa de prolongar a vida, mas ajudar a pessoa a viver o mais humanamente possível a própria morte, respeitando a naturalidade desta. Os cuidados paliativos fazem-no, valorizando a pessoa até ao seu fim natural, aliviando o seu sofrimento e combatendo a solidão pela presença da família e de outros que lhe sejam significativos. Interpelamos a sociedade portuguesa para corresponder à exigência não mais adiável de estender a todos o acesso aos cuidados paliativos e assumimos a disponibilidade e a vontade de fazermos tudo o que esteja ao nosso alcance para participar neste verdadeiro desígnio nacional. E não podemos deixar de interrogar se a presente discussão, antes de realizado este investimento, não enfermará de falta de propósito.
As Tradições religiosas professam que a vida é um dom precioso e, para as religiões abraâmicas, um dom de Deus e, como tal, se reveste de carácter sagrado; mas este apenas confirma a sua dignidade natural, da qual derivam a sua inviolabilidade e indisponibilidade intrínsecas, que, portanto, não dependem da fundamentação religiosa. Mas a religião confere à vida um sentido, uma esperança, uma outra possibilidade de transcendência. As sociedades precisam desta visão do humano ao lado de todas as outras.
Nós, comunidades religiosas presentes em Portugal, acreditamos que a vida humana é inviolável até à morte natural e perfilhamos um modelo compassivo de sociedade e, por estas razões, em nome da humanidade e do futuro da comunidade humana, causa da religião, nos sentimos chamados a intervir no presente debate sobre a morte assistida, manifestando a nossa oposição à sua legalização em qualquer das suas formas, seja o suicídio assistido, seja a eutanásia.

Por isso assinamos em conjunto a presente Declaração.
Lisboa, 16 de maio de 2018

DA PALAVRA DO SENHOR



- DOMINGO DE PENTECOSTES

“…Quando chegou o dia de Pentecostes,
 os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar.
 Subitamente, fez se ouvir, vindo do Céu,
 um rumor semelhante a forte rajada de vento,
 que encheu toda a casa onde se encontravam.
 Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo,
 que se iam dividindo,
 e poisou uma sobre cada um deles.
 Todos ficaram cheios do Espírito Santo…” (cf. Actos 2, 1-4)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na Audiência-Geral, na Praça São Pedro, Roma, no dia 16 de Maio de 2018

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje, concluímos o ciclo de catequeses sobre o Baptismo. Os efeitos espirituais deste sacramento, invisíveis aos olhos mas activos no coração de quem se tornou criatura nova, são explicitados pela entrega da veste branca e da vela acesa.
Depois do banho de regeneração, capaz de recriar o homem segundo Deus na verdadeira santidade (cf. Ef 4, 24), pareceu natural, desde os primeiros séculos, revestir os recém-baptizados com uma veste nova, cândida, à semelhança do esplendor da vida obtida em Cristo e no Espírito Santo. A veste branca expressa, simbolicamente, o que aconteceu no sacramento e anuncia a condição dos transfigurados na glória divina.
Paulo recorda o que significa revestir-se de Cristo, explicando quais são as virtudes que os baptizados devem cultivar: «Escolhidos por Deus, santos e amados, revesti-vos de sentimentos de ternura, de bondade, de humildade, de mansidão, de magnanimidade, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos reciprocamente. Mas acima de tudo, revesti-vos da caridade, que as une todas de modo perfeito» (Cl 3, 12-14).
Também a entrega ritual da chama, acendida no círio pascal, recorda o efeito do Baptismo: «Recebei a luz de Cristo», diz o sacerdote. Estas palavras recordam que não somos nós a luz, mas a luz é Jesus Cristo (Jo 1, 9; 12, 46), o qual, ressuscitando dos mortos, venceu as trevas do mal. Nós somos chamados a receber o seu esplendor! Assim, como a chama do círio pascal acende cada uma das velas, também a caridade do Senhor Ressuscitado inflama os corações dos baptizados, enchendo-os de luz e calor. E, por isso, desde os primeiros séculos, o Baptismo chamava-se também “iluminação” e aquele que era baptizado dizia-se que estava “iluminado”.
Com efeito, é esta a vocação cristã: «Caminhar sempre como filhos da luz, perseverando na fé (cf. Rito da iniciação cristã dos adultos, n. 226; Jo 12, 36).
Se se tratar de crianças, é tarefa dos pais, juntamente com os padrinhos e as madrinhas, ter o cuidado de alimentar a chama da graça baptismal nas suas crianças, ajudando-as a perseverar na fé (cf. Rito do Baptismo das Crianças, n. 73). «A educação cristã é um direito das crianças; ela tende a guiá-las gradualmente para o conhecimento do desígnio de Deus, em Cristo: assim poderão ratificar pessoalmente a fé, na qual foram baptizadas» (ibid., Introdução, 3).
A presença viva de Cristo, que deve ser preservada, defendida e incrementada em nós, é lâmpada que ilumina os nossos passos, luz que orienta as nossas opções, chama que aquece os corações no caminho rumo ao Senhor, tornando-nos capazes de ajudar quem percorre o caminho connosco, até à comunhão inseparável com Ele. Naquele dia, diz ainda o Apocalipse, «não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os ilumina; e reinarão para todo o sempre» (cf. 22, 5).
A celebração do Baptismo conclui-se com a recitação do Pai-Nosso, própria da comunidade dos filhos de Deus. Com efeito, as crianças renascidas no Baptismo receberão a plenitude do dom do Espírito, na Confirmação, e participarão na Eucaristia, aprendendo o que significa dirigir-se a Deus chamando-lhe “Pai”.
No final destas catequeses sobre o Baptismo, repito, a cada um de vós, o convite que expressei do seguinte modo na Exortação apostólica “Gaudete et exsultate”: «Deixa que a graça do teu Baptismo frutifique num caminho de santidade. Deixa que tudo esteja aberto a Deus e, para isso, opta por Ele, escolhe Deus sem cessar. Não desanimes porque tens a força do Espírito Santo para tornar possível a santidade e, no fundo, esta é o fruto do Espírito Santo na tua vida (cf. Gal 5, 22-23)» (n. 15). (cf. Santa Sé)

PARA REZAR



- SALMO 103

Refrão: Mandai, Senhor, o vosso Espírito e renovai a terra.

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.
Senhor, meu Deus, como sois grande!
Como são grandes, Senhor, as vossas obras!
A terra está cheia das vossas criaturas.

Se lhes tirais o alento, morrem
e voltam ao pó donde vieram.
Se mandais o vosso espírito, retomam a vida
e renovais a face da terra.

Glória a Deus para sempre!
Rejubile o Senhor nas suas obras.
Grato Lhe seja o meu canto
e eu terei alegria no Senhor.

SANTOS POPULARES



SANTA MARIA ANA DE JESUS PAREDES

Maria Ana de Paredes Flores y Jaramillo nasceu no dia 31 de Outubro de 1618, em Quito, capital do Equador. A sua família era rica: o pai, Jerónimo Paredes Flores y Granobles, era um capitão espanhol e a mãe, Mariana Jaramillo, pertencia à nobreza, descendente, na linha paterna, de conquistadores espanhóis a quem a Coroa Espanhola reconheceu, concedendo-lhes o seu próprio brasão de armas.
A pequena Maria Ana ficou órfã dos pais aos quatro anos de idade e quem assumiu a sua educação foi a sua irmã mais velha, Jerónima, casada com o capitão Cosme de Miranda, que a educou como se fosse uma sua filha. Maria Ana, desde muito cedo, começou a despertar para a religião, tornando-se uma grande devota - e muito fervorosa - de Jesus e da Virgem Maria. Dotada de uma inteligência superior e prendada de imensas qualidades, gostava das aulas de canto, onde aprendia as músicas religiosas que, depois, cantava nas suas orações.
Orientada espiritualmente pelo jesuíta Padre João Camacho, aos oito anos recebeu a Primeira Comunhão e quis consagrar-se inteiramente a Jesus, fazendo voto de virgindade perpétua. As autoridades eclesiásticas da época aceitaram o seu veemente desejo e concederam-lhe, a título excepcional, licença para assumir tal responsabilidade. Maria Ana passou a viver, na sua própria casa, como se de um Convento se tratasse. Sem entrar em nenhuma Ordem religiosa, iluminada e animada pelo Espírito Santo, dedicava-se às orações e à penitência, até limites só alcançados pelos adultos mais santificados.
Em 1639, entrou para a Ordem Terceira Franciscana e tomou o nome de Maria Ana de Jesus. Foi agraciada por Deus com o dom do conselho e da profecia, sabendo, como ninguém, interpretar a alma humana. A sua palavra promovia a paz entre as pessoas em discórdia e contribuía para que muitas almas retornassem aos caminhos do seguimento de Cristo.
Em consequência das severas penitências que se impunha, Marianita - era assim chamada por todos - tinha um físico delicado e uma saúde muito frágil, sempre sujeita a doenças. Numa dessas enfermidades, teve de ser submetida a uma sangria, e a enfermeira que a atendia deixou, numa vasilha, o sangue que tinha extraído de Marianita para ir buscar as ligaduras que faltavam. Ao voltar, viu que, na vasilha que continha o seu sangue, brotara um lírio. A notícia espalhou-se por toda a parte e Marianita passou a ser conhecida como o “Lírio de Quito”.
Como Maria Ana tinha profetizado, em 1645, a cidade de Quito foi devastada por um grande terremoto, que causou muitas mortes e espalhou muitas epidemias. Os cristãos foram todos convocados pelos padres jesuítas a rezarem, pedindo a Deus e à Virgem Maria socorro para o povo equatoriano. Nessa ocasião, um dos padres jesuítas, disse num dos seus sermões: “Meu Deus, ofereço-Te a minha vida para que se acabem os terramotos”. Porém, Maria Ana levantou-se, no meio da Igreja, e disse: “Não, Senhor! A vida deste sacerdote é necessária para salvar muitas almas. Pelo contrário, eu não sou necessária. Ofereço-Te a minha vida para que terminem estes terramotos”. Toda a gente se admirou desta atitude de Marianita. E, naquela mesma manhã, ao sair da Igreja, ela começou a sentir-se muito doente. Mas, a partir dessa manhã, não se repetiram mais os terramotos.
Pouco tempo depois, Maria Ana, com apenas 27 anos, morreu: era o dia 26 de Maio de 1645.
Desde então, nunca mais ocorreram terremotos nessas proporções, no Equador. Os milagres, por sua intercessão, multiplicaram-se de tal maneira que ela beatificada, pelo Papa Pio IX, em 1853. Em 1946, a Beata Maria Ana de Jesus Paredes, o “Lírio de Quito”, foi declarada “Heroína da Pátria”, pelo Congresso do Equador. Maria Ana de Jesus Paredes Flores y Jaramillo foi canonizada, pelo Papa Pio XII, no dia 9 de Julho de 1950, tornando-se a primeira flor franciscana desabrochada para a santidade na América Latina.
No dia 10 de Julho, aos peregrinos equatorianos, o Papa disse: “… Desta Santa, todos podemos aprender o imenso poder da virtude cristã, capaz de fazer amadurecer um espírito, com mais vigor do que o sol de Quito faz amadurecer os férteis frutos da terra equatoriana. Aprenda o mundo as energias que se escondem na oração e no sacrifício. Aprendam os epicuristas de sempre que a meta do espírito se encontra no fim de um caminho escondido, em que o amor busca a dor para superar a escravização material. Aprendam os jovens modernos e mundanos o quanto, no seu ambiente, pode fazer uma alma enamorada do Senhor.
E aqueles que vivem, hoje, na plena luz da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, admirem os indícios desta vítima inocente que, no início do século XVII, soube fazer já da reparação o centro da sua espiritualidade.
Mas, é evidente que não poderíamos terminar estas palavras sem nos dirigirmos, de modo especial, à mui nobre representação equatoriana, aqui presente, formada pela maior parte do seu episcopado, com centenas dos seus fiéis e presidida por uma Embaixada Extraordinária, em que figuram nomes cujos méritos não nos são desconhecidos.
Maria Ana de Jesus de Paredes é um exemplo para todos mas, de uma maneira especial, para vós, amados filhos equatorianos. Muitas vezes, as alternativas contingentes da política de cada dia podem imprimir, aos critérios directivos, tais oscilações que se coloquem em perigo valores tão fundamentais como a educação cristã. Não o permitais mas, pelo contrário, exigi para as vossas gerações futuras uma formação enquadrada pelas virtudes que fizeram grande a vossa Santa. Proponde aos vossos filhos o modelo perfeito da sua "heroína nacional", Santa Maria Ana de Jesus de Paredes…”
A sua memória litúrgica desta Santa equatoriana celebra-se no dia 26 de Maio.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

EM DESTAQUE



- SEMANA DA VIDA: 13-20 MAIO

Decorre, de 13 a 20 de Maio, a Semana da Vida. O tema oficial é: “Eutanásia… O que está em jogo?”. Os responsáveis por esta iniciativa consideraram importante retomar o documento publicado pela Conferência Episcopal Portuguesa em 2016, ‘Eutanásia: o que está em jogo? Contributos para um diálogo sereno e humanizador’.
O objectivo é levar os cidadãos, em geral, e os cristãos, em particular, a aprofundar o que está em causa, procurando distinguir os conceitos; conhecer mais claramente o que a Igreja defende e propõe. Os cristãos lêem a vida a partir da Palavra de Jesus e, por isso, procuram iluminar as decisões humanas com a Luz de Cristo de modo que a vida seja acolhida na sua beleza, no seu autêntico sentido e valor e seja digna de ser vivida.
Para ajudar a uma séria reflexão, apresentamos texto do Sr. D. Manuel Linda, Bispo do Porto.

- PALAVRA DO BISPO DO PORTO


Eutanásia:
pequeno contributo para um diálogo cultural sério

Como é sabido, no próximo dia 29, a Assembleia da República irá debater vários projetos de lei sobre a eutanásia. Porque o tema interessa a todos, apresento alguns pontos de reflexão, pequeníssimo contributo para um debate que se deseja racional, sério e humanizante.

1.Até há cerca de uma década, quando se falava na eutanásia, colocava-se a tónica na ideia de «misericórdia», aliás presente na etimologia da palavra: perante o sofrimento, apressar-se-ia a morte de outrem para lhe retirar a dor. Neste caso, o decisor da ação era alguém diferente daquele que a sofria. Atualmente, fala-se em “morte digna” e em “morte assistida” como direito que o próprio reivindica para si. Então, agora, sujeito e objeto identificar-se-iam.
Deixando de lado uma reflexão sobre o logro filosófico do individualismo ou da ideia de que somos simplesmente «mónadas» sem qualquer relação com os outros, é de acentuar duas ideias: como, em tão pouco tempo, se decaiu do valor «misericórdia» para a mera «vontade» momentânea; e o desprezo das condições objetivas, isto é, o saber-se se o interessado está ou não em condições de formular um juízo fiável, fazendo repousar uma decisão irreversível num estado de espírito que, completamente alterado pela dor física ou pelo sofrimento moral do abandono, não pode ser efetivamente livre e consciente. Neste caso, na prática, exigir-se-iam menos condições para pedir a eutanásia do que, por exemplo, para formular um testamento válido.

2.Em paralelo com esta «evolução», é de acentuar a dinâmica social da fragmentação das relações familiares, expressa no estandardizado recurso ao internamento dos mais velhos em lares e casas de recolhimento, muitas vezes evitáveis, no corte afetivo com os pais e avós, quando não no frequente abandono puro e simples. Creio, pois, que, embora não numa relação exclusiva, a mentalidade subjacente a uma tem muito a ver com a outra.
Perante isto, a sociedade tem de se interrogar se a frieza das relações é inevitável, se sob a capa da defesa do «direito a morrer com dignidade» não se esconde o mais cruel «descarte» daqueles em quem não se está interessado e se se gasta a mesma energia e dedicação no cuidado dos anciãos e doentes que se usa para defender a «morte a pedido». E, basicamente, tem de se perguntar se, quando alguém diz que quer morrer, essa linguagem é unívoca ou não estará antes a lançar um grito de acusação àqueles que, «criminosamente», lhe negam o conforto e a proximidade afetiva, até porque, hoje, os modernos analgésicos suprimem praticamente toda a dor física.

3.Este assunto entra no que se convencionou designar por “temas fraturantes”. E o qualificativo deveria obrigar a pensar: em concreto, neste caso, que é que se fratura? Não é simplesmente o posicionamento entre os que são a favor e contra. É toda uma teia de relações sociais que se rompe: a confiança na medicina, o pavor de associar doença e velhice com a possibilidade de ser eutanasiado, a negação do velho princípio estruturante da ética médica do “primum non nocere” (primeiro, não prejudicar), a desconfiança nas relações familiares, os interesses escondidos por detrás de uma falsa piedade, o remorso perante uma situação violenta e irreversível, etc.
Mas, fundamentalmente, o que mais deveria preocupar os dirigentes sociais é o desaparecimento da ética, estrutura estabilizadora da sociedade, com o consequente confiar ao direito toda a força da regulamentação. É que este só se impõe pela força do direito… penal. O direito é bom, mas desde que não se torne exclusivo: ao confiar-lhe a totalidade da normalização social, abdicamos da força da liberdade constituinte da pessoa em detrimento da normativa exterior e coercitiva. O que vai sempre desembocar no positivismo jurídico, isto é, na aplicação fria da normativa, sem comiseração nem contemplações, como demonstrou o recente caso da criança inglesa Alfie Evans. A eutanásia representa, portanto, um terrível abaixamento do «tónus» moral da sociedade com consequências que, a médio prazo, podem ser dramáticas.

4.O tema da eutanásia sobrepassa, portanto, o mero reducionismo ao costumado chavão do “quem não concorda não é obrigado a fazer”: exprime uma mentalidade que tem a ver com a própria conceção da pessoa e da sociedade. Manifesta, de facto, uma cultura que parece «cansada», demitida de procurar a verdade e o bem e, como tal, reduzida ao simplismo demissionário do mais fácil, do meramente individual e volitivo, cultura em declínio que corre o risco de conduzir à desagregação social. Por algum motivo se fala tanto do «eclipse do Ocidente» e se observa a mutação hegemónica dos países «emergentes», os quais, curiosamente, não colocam estas questões «burguesas».
No preciso momento em que este assunto passou para a ordem do dia, a comunicação social está a referir um dado profundamente monstruoso: que, nos cerca de nove milhões de portugueses que habitamos o interior destas fronteiras, dois milhões e quatrocentos mil ou são pobres ou estão em risco de pobreza. Mais de um quarto da população! Este sim, é o tema que deveria preocupar os dirigentes sociais. E, para nossa desgraça, não se vislumbra um projeto mobilizador e entusiasmante que nos leve a melhorar este estado de coisas. Pelo contrário, parece dar-se como inevitável a submissão a uma crescente desigualdade social em que uns poucos ficam com quase tudo e a multidão dos jovens, dos débeis, dos velhos e de tantas famílias que têm de sobreviver com o salário mínimo apenas se contentam com «as migalhas que caem da sua mesa».
Espera-se, consequentemente, que as decisões a tomar sejam fruto de uma sadia cultura ético-social e não de qualquer pretensa «modernidade» que outra coisa não é do que o regresso ao pior dos passados. Espera-se muito da responsabilidade ética dos nossos deputados.

Porto, 9 de Maio de 2018
+ Manuel, Bispo do Porto

DA PALAVRA DO SENHOR



- VII DOMINGO DE PÁSCOA: ASCENSÃO DO SENHOR

“…recebereis a força do Espírito Santo,
que descerá sobre vós,
e sereis minhas testemunhas em Jerusalém
e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra».
Dito isto, elevou-Se à vista deles
e uma nuvem escondeu-O a seus olhos.
E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus se afastava,
apresentaram-se-Ihes dois homens vestidos de branco,
que disseram: «Homens da Galileia,
porque estais a olhar para o Céu?
Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu,
virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu»…” (cf. Actos 1, 8-11)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na Audiência-Geral, na Praça São Pedro, Roma, no dia 9 de Maio de 2018

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
A catequese sobre o sacramento do Baptismo leva-nos a falar, hoje, do santo derramamento da água, acompanhado da invocação da Santíssima Trindade, ou seja, o rito central que, de facto, “baptiza” – isto é, mergulha – no Mistério pascal de Cristo (cfr Catecismo da Igreja Católica, 1239). São Paulo recorda, aos cristãos de Roma, o sentido deste gesto, perguntando em primeiro lugsr: “Não sabeis que todos os que fomos baptizados em Cristo Jesus, fomos baptizados na sua morte?”, e, depois, respondendo: “Por meio do Baptismo […] fomos sepultados com Ele na morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, assim, também, nós possamos caminhar numa vida nova” (Rm 6, 4). O Baptismo abre-nos a porta para uma vida de ressurreição e não para uma vida mundana. Uma vida segundo Jesus.
A fonte baptismal é o lugar em que se faz Páscoa com Cristo! É sepultado o homem velho, com as suas paixões enganosas (cfr Ef 4, 22), para que renasça uma nova criatura; realmente, as coisas velhas passaram e nasceram novas (cfr 2 Cor 5, 17). Nas “Catequeses” atribuídas a São Cirilo de Jerusalém, é assim explicado aos neo-baptizados o que aconteceu com eles na água do Baptismo. É bela esta explicação de São Cirilo: “No mesmo instante morrestes e nascestes, e a mesma onda salutar torna-se para vós sepulcro e mãe” (n.20, Mistaggogica 2, 4-6: PG 33, 1079-1082). O renascimento do novo homem exige que seja reduzido a pó o homem corrompido pelo pecado. As imagens do túmulo e do ventre materno referidas à fonte são de facto muito incisivas para exprimir o que acontece de extraordinário através dos gestos simples do Baptismo. Gosto de citar a inscrição que se encontra no antigo Baptistério romano de Latrão, em que se lê, em latim, esta expressão atribuída ao Papa Sisto III: “A Mãe Igreja dá à luz, virginalmente, através da água, os filhos que concebeu pelo sopro de Deus. Todos vós que renascestes desta fonte, esperai o reino dos céus” [1]. É belo: a Igreja que nos faz nascer… a Igreja que é ventre, é nossa mãe por meio do Baptismo.
Se os nossos pais nos geraram para a vida terrena, a Igreja regenerou-nos para a vida eterna, no Baptismo. Tornamo-nos filhos no seu Filho Jesus (cfr Rm 8, 15; Gal 4, 5-7). Também sobre cada um de nós, renascidos pela água e pelo Espírito Santo, o Pai celeste faz ressoar, com infinito amor, a sua voz que diz: “Tu és o meu filho amado” (cfr Mt 3, 17). Esta voz paterna, imperceptível aos ouvidos, mas bem ouvida pelo coração de quem crê, acompanha-nos durante toda a vida, sem nunca nos abandonar. Durante toda a vida, o Pai diz-nos: “Tu és o meu filho amado; tu és a minha filha amada”. Deus ama-nos muito, como um Pai, e não nos deixa sozinhos. Isto, a partir do momento do Baptismo. Renascidos filhos de Deus, somo-lo para sempre! O Baptismo, de facto, não se repete, porque imprime um sinal espiritual indelével: “Esta marca não é apagado por nenhum pecado, se bem que o pecado impeça o Baptismo de produzir frutos de salvação” (CIC, 1272). A marca do Baptismo não se perde nunca! “Padre, mas se uma pessoa se torna num bandido, dos mais famosos, que mata gente, que pratica injustiças, a marca não desaparece?” Não. Para sua própria vergonha, esse homem, que é filho de Deus, pode fazer essas coisas, mas a marca não desaparece. E continua a ser filho de Deus, apesar de estar contra Deus; mas, Deus nunca renega os seus filhos. Entendestes esta última coisa? Deus nunca renega os seus filhos. Vamos repeti-lo todos juntos? “Deus nunca renega os seus filhos”. Um pouco mais forte, que eu ou estou surdo ou não entendo: [repetem-no mais forte] “Deus nunca renega os seus filhos”. Bem, assim está bem!
Incorporados em Cristo por meio do Baptismo, os baptizados são, portanto, conformados a Ele, “o primogénito de muitos irmãos” (Rm 8, 29). Através da acção do Espírito Santo, o Baptismo purifica, santifica, justifica, para formar, em Cristo, de muitos, um só corpo (cfr 1 Cor 6,11; 12,13). Exprime-o a unção crismal, “que é sinal do sacerdócio real do baptizado e da sua agregação à comunidade do povo de Deus” (Rito do Baptismo das Crianças, Introdução, n. 18, 3). Portanto, o sacerdote unge com o santo crisma a testa de cada baptizado, depois de ter pronunciado estas palavras que explicam o seu significado: “O próprio Deus vos consagra com o crisma da salvação, para que inseridos em Cristo, sacerdote, profeta e rei, sejais sempre membros do seu corpo para a vida eterna” (ibid., n.71).
Irmãos e irmãs, a vocação cristã está toda aqui: viver unidos a Cristo na santa Igreja, participantes da mesma consagração para realizar a mesma missão, neste mundo, produzindo frutos que duram para sempre. Animado pelo único Espírito, de facto, todo o Povo de Deus participa das funções de Jesus Cristo, “Sacerdote, Profeta e Rei”, e leva a responsabilidade da missão e serviço que dela derivam (cfr CIC, 783-786). O que significa participar do sacerdócio real e profético de Cristo? Significa fazer de si uma oferta agradável a Deus (cfr Rm 12, 1), dando testemunho disso através de uma vida de fé e de caridade (cfr Lumen gentium, 12), colocando-a ao serviço dos outros, a exemplo do Senhor Jesus (cfr Mt 20, 25-28; Jo 13, 13-17). Obrigado! (cf. Santa Sé)

PARA REZAR



- SALMO 46

Refrão: Ergue-se, Deus, o Senhor, em júbilo e ao som da trombeta.

Povos todos, batei palmas,
aclamai a Deus com brados de alegria,
porque o Senhor, o Altíssimo, é terrível,
o Rei soberano de toda a terra.

Deus subiu entre aclamações,
o Senhor subiu ao som da trombeta.
Cantai hinos a Deus, cantai,
cantai hinos ao nosso Rei, cantai.

Deus é Rei do universo:
cantai os hinos mais belos.
Deus reina sobre os povos,
Deus está sentado no seu trono sagrado.

SANTOS POPULARES



BEATA JOSEFA HENDRINA STENMANNS

Hendrina Stenmanns nasceu no dia 28 de maio de 1852, no Baixo Reno, na vila de Issum, Diocese de Münster, na Alemanha. Dos 6 aos 14 anos, frequentou a escola mas, antes de terminar o último ano, teve de deixá-la para ajudar a cuidar da casa e dos irmãos mais pequenos. A sua generosa dedicação ao trabalho não a impediu de buscar a Deus e de praticar das virtudes cristãs. Visitava os doentes e, como a sua amabilidade e delicadeza eram grandes, todos os doentes queriam tê-la perto. Graças a uma tia religiosa, Hendrina, desde pequena, sentiu-se, também, chamada a tornar-se freira, mas uma “freira franciscana”.
Aos 19 anos, tornou-se membro da Terceira Ordem de São Francisco, em Sonsbeck. Hendrina queria ser religiosa mas, naquela altura esse desejo era de difícil concretização: inúmeros conventos estavam a ser fechados, devido aos constantes incidentes políticos da "Kulturkampf".
Em 1878, faleceu a sua mãe. Então, Hendrina prometeu ficar com o pai, para cuidar dos seus irmãos. Tinha então 26 anos e o seu irmão mais novo tinha apenas 8 anos. Diante da impossibilidade de realizar a sua vocação, entregou-se nas mãos da Divina Providência. Não se lhe notou, nunca, uma única palavra de queixa ou lamentação.
Hendrina tinha os pés bem assentes no chão e, tudo o que fazia, fazia-o o amor de um coração firmemente ancorado em Deus. Ele era o sustento da sua vida. Na Missa e na comunhão experimentava a confirmação desta presença.
Anos mais tarde, conheceu a obra missionária de Steyl: a Congregação dos Verbitas, fundada na Holanda pelo Padre Arnoldo Janssen. Após fundar a congregação masculina de missionários, o Padre Janssen pensava fundar uma congregação feminina. Hendrina conheceu duas jovens que trabalhavam como empregadas, no Seminário do Padre Janssen, na esperança de que um dia fosse fundada a congregação. Hendrina sentiu que era lá seu lugar.
O pároco de Issum, o Padre Veels, conhecia muito bem Hendrina. Então, em Janeiro de 1884, escreveu ao Padre Janssen falando-lhe de Hendrina e apresentando-lhe “as melhores recomendações em todos os sentidos. Ela sempre teve o desejo de entrar na vida religiosa; durante muitos anos, confessava-se semanalmente e, apesar de morar a mais de 15 minutos de caminhada da igreja e ter de cuidar da casa, assistia diariamente à Santa Missa”. Não era comum uma jovem com a carga de trabalho de Hendrina levar uma vida espiritual tão intensa.
O Padre Janssen aceitou o pedido de Hendrina e, quando a sua irmã mais nova se tornou capaz de assumir as responsabilidades familiares que estavam a seu cargo, partiu para Steyl.
Na cozinha do Seminário, Hendrina rezou, sofreu e esperou durante cinco anos: longos anos, também para ela, embora já estivesse habituada a ter paciência e a esperar.
Para o pequeno grupo em Steyl, célula germinativa da futura Congregação, a Eucaristia era fonte de força no trabalho diário e pesado, na cozinha. Poderíamos dizer que as empregadas viviam um “círculo Eucarístico”: Missa de manhã, onde frequentemente recebiam a Sagada Comunhão; meia hora de oração, ao meio dia; Bênção do Santíssimo Sacramento, à tarde. A antecipação destes ‘auxílios espirituais’ diários permeava e animava a sua vida quotidiana.
O dia 8 de Dezembro de 1889 é considerado o "Dia da Fundação" da Congregação das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo. Hendrina e mais cinco raparigas - entre elas Helena Stollenwerk - foram recebidas como postulantes.
Em Agosto de 1891, o Padre Arnoldo Janssen nomeou Helena Stollenwerk como superiora da comunidade e Hendrina como sua assistente. No dia 17 de Janeiro de 1892, Hendrina recebeu o hábito religioso e o nome de Irmã Josefa. No dia 12 de Março de 1894, com onze companheiras, pôde, finalmente, emitir os primeiros votos religiosos.
 “Vivíamos hora a hora, dia a dia, e deixávamos o futuro a Deus”, repetia, incansavelmente, enquanto dizia de si mesma “O meu coração está pronto” e rezava, em cada acção, o “Veni, Sancte Spíritus”(Vinde, Espírito Santo)
Para a Irmã Josefa a vida religiosa significava pertencer inteiramente a Deus. Com o aumento do número de Irmãs, o trabalho aumentava, continuamente. Mesmo assim, ela não se perdia nas inúmeras tarefas e tinha sempre uma palavra bondosa para todos. Trabalho e oração eram igualmente serviço a Deus. A Congregação estava pujante de vida e tornou-se necessário construir um novo convento para acolher o número crescente de Irmãs.
Quando a Irmã Maria Helena Stollenwerk foi transferida para as “adoradoras perpétuas” (outra congregação fundada pelo Padre Janssen), a Irmã Josefa tornou-se superiora das Servas do Espírito Santo. Mais do que um cargo, foi um serviço que ela exerceu com paciência e amor mas, infelizmente, por pouco tempo. A Irmã Josefa sofria de várias enfermidades - entre elas a da asma - que fragilizaram, com muita rapidez, a sua já débil saúde. Nas suas dores, teve de exercitar, ainda mais, a sua paciência. A doença tolheu as suas forças e levou-a para o leito, no meio de intensos sofrimentos.
A Irmã Josefa Hendrina Stenmanns faleceu no dia 20 de Maio de 1903, com 50 anos. Foi sepultada ao lado da outra co-fundadora, a Madre Maria Stollenwerk.
No dia 29 de Junho de 2008, a Madre Josefa Hendrina Stenmanns foi beatificada pelo Papa Bento XVI, juntando-se, na glória dos altares, aos seus companheiros e amigos: o Padre Arnoldo Janssen, canonizado em 2003, e a Madre Maria Helena Stollenwerk, beatificada em 1995.
A celebração realizou-se em Steyl-Tegelen, na Holanda, tendo presidido, em nome do Papa, o Cardeal José Saraiva Martins, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. No fim da celebração da beatificação, o Cardeal disse: “… a Beata Josefa Hendrina, dócil à acção do Espírito Santo, distinguiu-se, em toda a sua vida, pela sua pureza de intenções e pela simplicidade de espírito, mediante um contínuo abandono amoroso à vontade do Senhor, com uma correspondência total e generosa às graças e inspirações de Deus.
Profundamente devota, mas sem ostentação, Josefa Hendrina Stenmanns foi uma mulher de admirável equilíbrio humano e sobrenatural: à fortaleza de carácter uniu sempre a amabilidade materna; ao sentido prático da acção uniu, constantemente, o exercício da caridade, sobretudo para com os pobres, os idosos e os enfermos. E tudo isto sem chamar a atenção.
Já antes de abraçar a vida religiosa, era modelo de maturidade cristã; poderíamos dizer, de santidade laical. Os compromissos que assumiu com a sua profissão na Ordem franciscana secular deram à sua vida um autêntico sentido de consagração, no meio das realidades familiares e sociais. O convívio com o Santo fundador Arnold Janssen marcou profundamente a sua actividade espiritual e missionária. De facto, a vocação missionária foi o fulcro de toda a sua existência: «Orar e trabalhar no apostolado missionário, para que o Evangelho seja conhecido por todos».
Com esse objectivo, ofereceu-se em sacrifício pela Obra da propagação da fé. Por isso, a sua vida terrena esteve impregnada de um anseio constante de perfeição, que se desenvolveu no impulso apostólico em favor da difusão do Evangelho e da propagação do Reino de Deus entre os homens…”
A memória litúrgica da Beata Josefa Hendrina Stenmanns celebra-se no dia 20 de Maio.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

EM DESTAQUE



- 6 DE MAIO: DIA DA MÃE

Neste primeiro Domingo de Maio, assinala-se, em Portugal, o Dia da Mãe.
Esta efeméride foi celebrada, durante muitos anos, no dia 8 de Dezembro, Solenidade da Imaculada Conceição. Por influência da Igreja e dos ideais cristãos, a comemoração do Dia da Mãe foi transferida, num primeiro momento, para o último Domingo e, depois para o Primeiro Domingo de Maio. Em Maio, porque neste mês os católicos fazem a memória da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Jesus e nosso Mãe.
Enviamos a todas as mães a bênção de Deus, para que vivam na alegria, na paz e na bondade e recebam dos seus filhos o testemunho da sua dedicação e do seu amor.
Publicamos, em seguida, a Mensagem da Comissão Episcopal do Laicado e Família.


MENSAGEM

A beleza do amor de mãe

“É bom, belo e justo celebrar o Dia da Mãe: agradecer a todas as mães que, dia e noite, todos os dias e todos anos, ao longo da sua vida, se dedicam ao acolhimento amoroso, à educação e ao crescimento integral dos filhos.
Ser mãe não significa somente colocar no mundo um filho, mas é também uma escolha: a de dar a vida. Nada há mais nobre e mais santo!
Na sua terceira exortação apostólica, “Alegrai-vos e exultai”, o Papa Francisco recorda que a santidade é construída na vida de cada dia, com os “pequenos detalhes do amor” (n. 145). Todos sabemos, por experiência própria, que a sacralidade de tantos pequenos gestos das nossas mães deixou um sabor indizível e inesquecível no nosso coração de filhos.
As mães são verdadeiras beneméritas da sociedade, pois sabem cultivar e transmitir, mesmo nos piores momentos, a ternura, a dedicação e a força moral. São também as mães que transmitem o sentido mais profundo da vivência religiosa: nas primeiras orações, nos primeiros gestos de devoção que uma criança aprende, inscrevendo assim, indelevelmente, o valor da fé na vida de um ser humano.
Queridas mães, obrigado por aquilo que nos dais, pelo que sois na família e por aquilo que dais à Igreja e à sociedade. Que a celebração de mais um Dia da Mãe junte, em coro, as nossas vozes à dos decisores políticos e económicos, dos agentes culturais e da comunicação social e todos nos empenhemos a apoiar e a proteger o dom da maternidade que começa na fecundação e nunca deixa de se manifestar.
As mães de todos os tempos têm como modelo Maria, Mãe de Jesus. Que Nossa Senhora abençoe todas as mães! As acolha e proteja sob o seu santo manto.
Como “pequena lembrança” para este dia, aqui deixamos uma singela parábola: ‘Um anjo fugiu do paraíso para dar um passeio pela terra. No findar do dia, decidiu levar algumas lembranças daquela visita. Num jardim, viu algumas rosas: apanhou as mais bonitas e fez um belo ramo para levar para o paraíso.
Mais à frente, viu uma criança sorrir para a mãe. Encantado com a ternura daquela criança, apanhou também o seu sorriso. Estava para partir, quando viu uma mãe olhar com amor para o seu pequenino, no carrinho. O amor jorrava como uma nascente a transbordar.
O anjo pensou: «O amor daquela mãe é o que de mais bonito existe na terra, portanto pegarei também nele». Voou para o céu, mas antes de passar pelos portões azuis, decidiu examinar as recordações para ver como se tinham conservado durante a viagem.
As flores estavam murchas, o sorriso da criança tinha-se esmorecido, mas o amor da mãe ainda tinha todo o seu esplendor e beleza. Pôs de lado as flores murchas e o sorriso apagado, chamou à sua volta todos os hóspedes do céu e disse: “Eis a única coisa que encontrei na terra e que manteve toda a sua beleza durante a viagem para o paraíso: o amor de mãe!”.

DA PALAVRA DO SENHOR



- VI DOMINGO DE PÁSCOA

“…Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus
 e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus.
 Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.
 Assim se manifestou o amor de Deus para connosco:
 Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigénito,
 para que vivamos por Ele.
 Nisto consiste o amor: não fomos nós que amámos a Deus,
 mas foi Ele que nos amou e enviou o seu Filho
 como vítima de expiação pelos nossos pecados…” (cf. 1 João 4, 7-10)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na Audiência-Geral, na Praça São Pedro, Roma, no dia 2 de Maio de 2018

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Prosseguindo a reflexão sobre o Baptismo, hoje gostaria de meditar sobre os ritos centrais, que têm lugar ao pé da pia baptismal.
Consideremos, antes de mais, a água sobre a qual é invocado o poder do Espírito, a fim de que tenha a força de regenerar e renovar (cf. Jo 3, 5 e Tt 3, 5). A água é matriz de vida e de bem-estar, enquanto a sua falta provoca o esmorecimento de toda a fecundidade, como acontece no deserto; mas a água pode ser também causa de morte, quando submerge entre as suas ondas, ou quando, em grande quantidade, devasta tudo; por fim, a água tem a capacidade de lavar, limpar e purificar.
A partir deste simbolismo natural, universalmente reconhecido, a Bíblia descreve as intervenções e as promessas de Deus, através do sinal da água. No entanto, o poder de perdoar os pecados não está na água em si, como explicava Santo Ambrósio aos neófitos: «Viste a água, mas nem toda a água cura: só sara a água que tiver em si a graça de Cristo. [...] A acção é da água, mas a eficácia é do Espírito Santo» (De sacramentis 1, 15).
Por isso, a Igreja invoca a acção do Espírito sobre a água, «a fim de que, aqueles que nela receberem o Baptismo, sejam sepultados com Cristo na morte e, com Ele, ressuscitem para a vida imortal» (Rito do Baptismo das crianças, n. 60). A prece de bênção diz que Deus preparou a água «para ser sinal do Baptismo», recordando as principais prefigurações bíblicas: sobre as águas primordiais pairava o Espírito, para as transformar em germe de vida (cf. Gn 1, 1-2); a água do dilúvio marcou o fim do pecado e o início da nova vida (cf. Gn 7, 6-8, 22); através da água do Mar Vermelho, os filhos de Abraão foram libertados da escravidão do Egipto (cf. Êx 14, 15-31). A propósito de Jesus, recorda-se o Baptismo no Jordão (cf. Mt 3, 13-17), o sangue e a água derramados do seu lado (cf. Jo 19, 31-37), e o mandato dado aos discípulos, para baptizar todos os povos em nome da Trindade (cf. Mt 28, 19). Revigorados por esta memória, pede-se a Deus que infunda na água da pia baptismal a graça de Cristo morto e ressuscitado (cf. Rito do Baptismo das crianças, n. 60). E assim, esta água é transformada em água que traz em si a força do Espírito Santo. E mediante esta água, com a força do Espírito Santo, baptizamos as pessoas, os adultos, as crianças, todos…
Santificada a água da pia baptismal, é preciso dispor o coração para aceder ao Baptismo. Isto acontece mediante a renúncia a Satanás e a profissão de fé, dois gestos estritamente ligados entre si. Na medida em que digo “não” às sugestões do diabo — aquele que divide — torno-me capaz de dizer “sim” a Deus, que me chama a conformar-me com Ele nos pensamentos e nas acções. O diabo divide; Deus une sempre a comunidade, as pessoas, num único povo. Não é possível aderir a Cristo, impondo condições. É necessário desapegar-se de certos vínculos para poder, realmente, abraçar outros; ou estás de bem com Deus, ou com o diabo. Por isso, a renúncia e o acto de fé caminham juntos. É preciso eliminar pontes, deixando-as atrás, para empreender o novo Caminho, que é Cristo.
A resposta às perguntas — «Renunciais a Satanás, a todas as suas obras e a todas as suas seduções?» — é dada na primeira pessoa do singular: «Renuncio». E, do mesmo modo, é professada a fé da Igreja, dizendo: «Creio». Eu renuncio, eu creio: isto está na base do Baptismo. É uma opção responsável, que deve ser traduzida em gestos concretos de confiança em Deus. O acto de fé supõe um compromisso que o próprio Baptismo ajudará a manter com perseverança nas várias situações e provas da vida. Recordemos a antiga sabedoria de Israel: «Meu filho, se te apresentares para servir o Senhor, prepara-te para a tentação» (Eclo 2, 1), ou seja, prepara-te para o combate. E a presença do Espírito Santo concede-nos a força para lutar bem.
Estimados irmãos e irmãs, quando molhamos a mão na água benta - ao entrar numa igreja, tocamos a água benta - e fazemos o sinal da Cruz, pensemos com alegria e gratidão no Baptismo que recebemos - esta água benta recorda-nos o Baptismo - e renovemos o nosso “Amém” - “Estou feliz” - para viver imersos no amor da Santíssima Trindade.  (cf. Santa Sé)


PARA REZAR



- SALMO 97

Refrão:  Diante dos povos, manifestou Deus a salvação.

Cantai ao Senhor um cântico novo
pelas maravilhas que Ele operou.
A sua mão e o seu santo braço
Lhe deram a vitória.

O Senhor deu a conhecer a salvação,
revelou aos olhos das nações a sua justiça.
Recordou-Se da sua bondade e fidelidade
em favor da casa de Israel.

Os confins da terra puderam ver
a salvação do nosso Deus.
Aclamai o Senhor, terra inteira,
exultai de alegria e cantai.

SANTOS POPULARES



SANTA ROSA VENERINI

Rosa nasceu em Viterbo, em Itália, no ano de 1656, de uma família muito religiosa e recebeu dos seus pais uma boa formação cristã e uma boa educação.
Desde criança, sonhava fez-se monja mas, durante a sua juventude, ficou profundamente impressionada com a pobreza e a ignorância das jovens do povo e, assim, começou a pensar que talvez fosse melhor realizar algo em prol delas, do que viver num convento.
Dotada de grande inteligência e sensibilidade, Rosa começou a discernir as escolhas possíveis para a mulher do seu tempo: ou matrimónio ou a clausura. Contudo, ela privilegiava as escolhas corajosas, para além dos modelos tradicionais e, no mais fundo do seu coração, começou a idealizar alternativas que fossem vantajosas para a sociedade e para a Igreja. Porém, não foi fácil o discernimento, porque não conseguia identificar um caminho de verdadeira realização pessoal e espiritual, ao serviço da Igreja. Empregou muito tempo, no sofrimento e na busca, impelida por exigências interiores proféticas, antes de chegar a uma solução totalmente inovadora, alimentando a sua piedade enérgica e essencial na espiritualidade fervorosa de São Domingos, e na espiritualidade austera e equilibrada de Santo Inácio de Loyola.
No Outono de 1676, entrou, como externa, no Mosteiro Dominicano de Santa Catarina, para conhecer a vida monástica. Em virtude de tristes acontecimentos na família, ocorridos entre 1677 e 1680, teve que regressar a casa.
Tendo ficado sozinha em casa com o seu irmão Horácio, começou a convidar, para a sua casa, as jovens e as mulheres da vizinhança, para rezarem juntas o Rosário, dando-se logo conta de que nenhuma delas o sabia rezar.
Começou, então, a dirigir-lhes algumas perguntas do catecismo e todas elas ficaram emudecidas de surpresa. Rosa compreendeu que a mulher do seu tempo era escrava da ignorância e da pobreza, destinada aos trabalhos mais pesados e que ninguém se preocupava com o seu bem-estar. Então, Rosa Venerini, uma mulher decidida e cheia de boa vontade, não perdeu tempo. Rezou muito para compreender a vontade de Deus e, com duas amigas, decidiu abrir uma escola para as crianças pobres. Em 30 de Agosto de 1685, com a aprovação do Bispo de Viterbo, Card. Urbano Sacchetti, começou a funcionar a escola, sendo coadjuvada por duas Mestras que tinham sido preparadas anteriormente. Nascia, assim, a Escola das Mestras Pias Venerini, a primeira escola feminina pública da Itália. As origens eram humildes mas de alcance revolucionário, pela elevação espiritual e a sadia emancipação da mulher.
Todos os dias, pelas ruelas de Viterbo, andava uma criança tocando um sino e chamando todas as jovens e crianças da cidade. As lições começavam com a oração, seguida da catequese, dos trabalhos manuais femininos e das lições para aprenderem a ler e a escrever bem.
Em pouco tempo, a escola de Rosa mudou de fisionomia e ela recebeu pedidos para fundar outras escolas, pedidos estes formulados por bispos e cardeais.
Rosa Venerini, numa incessante actividade, fundou Escolas em aldeias e cidades de várias dioceses da Itália Central. As professoras não eram religiosas, mas viviam como tais, sendo assim chamadas Mestras Pias e, em Roma, eram até denominadas Mestras Santas.
No ano de 1713, Rosa abriu uma escola em Roma, e o Papa Clemente XI fez-lhe a honra de uma visita. O Papa ficou uma manhã inteira na escola, juntamente com oito cardeais, ouvindo a lição de catecismo e interrogando as alunas. No final, chamou Rosa e as suas companheiras, agradeceu-lhes o precioso trabalho, conferiu-lhes uma medalha de prata e disse-lhes: «Desejo que estas escolas se propaguem em todas as nossas cidades». Em pouco tempo, abriram-se escolas em todas as regiões.
Rosa sabia que a mulher é portadora de um projecto de amor mas, se o seu coração é escravo do medo, da ignorância e do pecado, este projecto nunca se pode tornar visível. É por isso que o seu carisma, hoje em dia, é enunciado com os seguintes termos: educar para libertar.
Em 1714, Rosa escreveu e publicou um livro intitulado “Relazione degli Esercizi que si pratticano in Viterbo nelle Scuole destinate per istruire le Fanciulle nella Dottrina Cristiana” ( Relação dos Exercícios que se praticam em Viterbo, nas Escolas destinadas a instruir as Crianças na Doutrina Cristã) com a finalidade de obter, das Autoridades Eclesiásticas, a aprovação do seu método educativo.
Rosa Venerini morreu em Roma, no dia 7 de Maio de 1728, com grande fama de santidade. Fundou cinquenta Escolas que transmitiram nos séculos o seu carisma educativo e apostólico.
No dia 15 de Outubro de 2006, Sua Santidade, o Papa Bento XVI, proclamou-a Santa. O milagre que a levou aos altares teve lugar em Ebolowa, nos Camarões: Serge, uma criança da leprosaria de ‘Ngalan, foi curada milagrosamente por intercessão de Santa Rosa, a Santa que sempre amou os pequeninos, dedicando-lhes a sua vida e continuando a protegê-los.
Na homilia da Missa da canonização, o Papa disse: “…Santa Rosa Venerini é outro exemplo de discípula fiel de Cristo, pronta a abandonar tudo para cumprir a vontade de Deus. Gostava de repetir: "estou presa a tal ponto na vontade divina, que não me importa nem morte, nem vida: desejo viver o que Ele quer, e desejo servi-lo em tudo o que lhe apraz, e nada mais" (Biografia Andreucci, p. 515). Deste seu abandono a Deus brotava a actividade clarividente que desempenhava com coragem a favor da elevação espiritual e da autêntica emancipação das jovens mulheres do seu tempo. Santa Rosa não se contentava em dar às jovens uma adequada instrução, mas preocupava-se em lhes garantir uma formação completa, com sólidas referências ao ensinamento doutrinal da Igreja. O seu mesmo estilo apostólico continua a caracterizar, ainda hoje, a vida da Congregação das Mestras Pias Venerini, por ela fundada. E como é actual e importante, também para a sociedade de hoje, o serviço que elas desempenham no campo da escola e sobretudo da formação da mulher!...”
A sua memória litúrgica celebra-se no dia 7 de Maio.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

DA PALAVRA DO SENHOR



- V DOMINGO DE PÁSCOA

“…É este o seu mandamento:
 acreditar no nome de seu Filho, Jesus Cristo,
 e amar-nos uns aos outros, como Ele nos mandou.
 Quem observa os seus mandamentos
 permanece em Deus e Deus nele.
 E sabemos que permanece em nós
 pelo Espírito que nos concedeu…” (cf. 1 João 3, 23-24)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na Audiência-Geral, na Praça São Pedro, Roma, no dia 25 de Abril de 2018

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Continuamos a nossa reflexão sobre o Baptismo, sempre à luz da Palavra de Deus.
É o Evangelho que ilumina os candidatos e suscita a adesão de fé: «O Baptismo é, de modo totalmente particular, o “sacramento da fé”, uma vez que é a entrada sacramental na vida de fé» (Catecismo da Igreja Católica, 1236). E a fé é a entrega de nós mesmos ao Senhor Jesus, reconhecido como «nascente de água [...] para a vida eterna» (Jo 4, 14), «luz do mundo» (Jo 9, 5), «vida e ressurreição» (Jo 11, 25), como ensina o itinerário percorrido, ainda hoje, pelos catecúmenos já prestes a receber a iniciação cristã. Educados pela escuta de Jesus, pelo seu ensinamento e pelas suas obras, os catecúmenos voltam a viver a experiência da mulher samaritana, sedenta de água viva, do cego de nascença que adquire a vista, de Lázaro que sai do sepulcro. O Evangelho traz em si a força de transformar quem o recebe com fé, arrancando-o do domínio do maligno, a fim de que aprenda a servir o Senhor com alegria e novidade de vida.
À pia baptismal nunca vamos sozinhos, mas acompanhados pela oração da Igreja inteira, como recordam as ladainhas dos Santos que precedem a prece de exorcismo e a unção pré-baptismal com o óleo dos catecúmenos. São gestos que, desde a antiguidade, asseguram a quantos se preparam para renascer como filhos de Deus, que a oração da Igreja os assiste na luta contra o mal, os acompanha no caminho do bem, os ajuda a libertar-se do poder do pecado, a fim de passar para o reino da graça divina. A prece da Igreja. A Igreja reza, e reza por todos, por todos nós! Nós, Igreja, oramos pelos outros. É bom rezar pelos outros. Quantas vezes, quando não temos uma necessidade urgente, não rezamos. Devemos orar pelos outros, unidos à Igreja: “Senhor, peço-vos pelas pessoas que estão em necessidade, por quantos não têm fé...”. Não vos esqueçais: a oração da Igreja está sempre em acção. Mas nós devemos entrar nesta prece e rezar por todo o povo de Deus, e por aqueles que precisam de orações. Por isso, o caminho dos catecúmenos adultos está marcado por reiterados exorcismos pronunciados pelo sacerdote (cf. cic, 1237), ou seja, por orações que invocam a libertação de tudo o que separa de Cristo e impede a íntima união com Ele. Pede-se a Deus até pelas crianças, para que as liberte do pecado original e as consagre como morada do Espírito Santo (cf. Rito do Batismo das crianças, n. 56). As crianças. Rezar pelas crianças, pela sua saúde espiritual e corporal. É um modo de proteger as crianças com a oração. Como testemunham os Evangelhos, o próprio Jesus combateu e expulsou os demónios para manifestar a vinda do reino de Deus (cf. Mt 12, 28): a sua vitória sobre o poder do maligno deixa espaço ao senhorio de Deus, que rejubila e reconcilia com a vida.
O Baptismo não é uma fórmula mágica, mas um dom do Espírito Santo que torna, quem o recebe, capaz de «lutar contra o espírito do mal», acreditando que «Deus enviou ao mundo o seu Filho para destruir o poder de Satanás e transferir o homem das trevas para o seu Reino de luz infinita» (cf. Rito do Baptismo das crianças, n. 56). Sabemos, por experiência, que a vida cristã está sempre sujeita à tentação, sobretudo à tentação de se separar de Deus, da sua vontade, da comunhão com Ele, para voltar a cair na rede das seduções mundanas. E o Baptismo prepara-nos, dá-nos força para esta luta quotidiana, até para a luta contra o diabo que — como diz São Pedro — como um leão, procura devorar-nos, destruir-nos.
Além da oração, há a unção no peito com o óleo dos catecúmenos, os quais «dele recebem vigor para renunciar ao diabo e ao pecado, antes de se aproximarem da fonte e ali renascerem para a nova vida» (Bênção dos óleos, Premissas, n. 3). Devido à propriedade do óleo de penetrar nos tecidos do corpo, proporcionando-lhe benefício, os antigos lutadores costumavam ungir-se de óleo para tonificar os músculos e para activar mais facilmente as garras do adversário. À luz deste simbolismo, os cristãos dos primeiros séculos adoptaram o uso de ungir o corpo dos candidatos ao Baptismo com o óleo benzido pelo do Bispo [Eis a prece de bênção, expressiva do significado deste óleo: «Ó Deus, sustentáculo e defesa do vosso povo, abençoai este óleo, no qual quisestes oferecer-nos um sinal da vossa fortaleza divina; concedei energia e vigor aos catecúmenos que serão por ele ungidos, a fim de que, iluminados pela vossa sabedoria, compreendam mais profundamente o Evangelho de Cristo; sustentados pelo vosso poder, assumam com generosidade os compromissos da vida cristã; e, tornando-se dignos da adopção de filhos, tenham a alegria de renascer e viver na vossa Igreja»: Bênção dos óleos, n. 21], com a finalidade de significar, mediante este «sinal de salvação», que o poder de Cristo Salvador fortalece para lutar contra o mal e para o derrotar (cf. Rito do Baptismo das crianças, n. 105).
É cansativo combater contra o mal, escapar dos seus enganos, recuperar a força depois de uma luta extenuante, mas devemos saber que toda a vida cristã é um combate. Contudo, devemos saber também que não estamos sozinhos, que a Mãe Igreja reza a fim de que os seus filhos, regenerados no Baptismo, não sucumbam às emboscadas do maligno, mas que as vençam pelo poder da Páscoa de Cristo. Fortalecidos pelo Senhor Ressuscitado, que derrotou o príncipe deste mundo (cf. Jo 12, 31), também nós podemos repetir com a fé de São Paulo: «Tudo posso n’Aquele que me dá força» (Fl 4, 13). Todos nós podemos vencer, vencer tudo, mas com a força que nos vem de Jesus. (cf. Santa Sé)